segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

ELEGIA SOBRE O ROMPIMENTO ESPERADO

ELEGIA DO ROMPIMENTO ESPERADO
Ana Maria de Portugal
a Sábado, 12 de Novembro de 2011 às 1:50

· ELEGIA DO ROMPIMENTO ESPERADO 

Logo que quebraste o que nunca foi ligado
desfez-se o equilíbrio dinâmico e fatal que,
ensaiado mil vezes com cuidado,
com trabalho, com dor,
sofrendo a dor brutal de saber
que duraria um só instante,
eu tinha conseguido.
Soubesse embora imenso o que lograsse, eu já tinha sabido:
Ficava sempre na beira do abismo o espectro da distância,
adiante velando à espera de mostrar aquela escura torva face.
Instante supremo, desfazer de mundos, ver os céus rasgados a terra a expirar...
sentir calar a voz do entardecer...
instante imenso, porque não chegaste para morrer?

Ana Maria de Portugal 2011

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