terça-feira, 19 de março de 2013
Dias longínquos de areia e de vento,
roçai com vossos dedos diáfano
a coroa inflamada do meu coração
trazendo estilhaços de sol
das sombras ondulantes
dos mistérios de abismos e de silêncios
dos furtivos contos matizados
e uma voz perdida, uma voz amante
que chama e ainda chama
mas bate contra as vidraças
louca ave de asas brancas
precipitando-se dos céus incertos.
AMP
8 de Março de 2013 —
A PEQUENA POÇA
Eu sou um rio
não mais
do que a bolha de água
que os deuses
sorvem
com uma palhinha
não sou um rio farto
dos que se espraiam
nas margens
e são falsos
escondendo na terra
como a toupeira
a vergonha do egoísmo
eu falo a linguagem
da miséria
da pequena poça
do afluente de aldeia
correndo
seco
para a voracidade
dos grandes mares
que se perdem
no infinito
das artérias
de Deus
(Ana Maria de Portugal)
Eu sou um rio
não mais
do que a bolha de água
que os deuses
sorvem
com uma palhinha
não sou um rio farto
dos que se espraiam
nas margens
e são falsos
escondendo na terra
como a toupeira
a vergonha do egoísmo
eu falo a linguagem
da miséria
da pequena poça
do afluente de aldeia
correndo
seco
para a voracidade
dos grandes mares
que se perdem
no infinito
das artérias
de Deus
(Ana Maria de Portugal)
Norte dos teus lábios no sul do meu seio
Ponto cardial da ilicitude que nos separa ao meio
Norte, que perde, insana e desvaria
meu celeste corpo delongando o dia
Espera-te a noite, eternamente lua
Na cama da estrela polar primeira
Universo serei de ti e terra nua
Ébria dos raios cadentes, tua luz feiticeira
Teimam meus pés no sol, as mãos no equador
Anulando a ínfima linha que nos separa
São as palavras, uma espécie de amor
No pólo do teu orgasmo que me amarra
Puderas ser tu eco ou astro que me influencia
Ou força gravitante que me desprende
Eu serei sempre a impostora poesia
Que no reflexo de ti o verso incende.
Ana Maria de Portugal
13 .03,13
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
DIREI APENAS ESSAS...
DIREI APENAS ESSAS...
Ana Maria de Portugal a Domingo,
11 de Setembro de 2011 às 3:16
DIREI APENAS ESSAS..
Direi apenas as palavras de amor que te endereço
envolvidas na nudez inicial..
Direi as que te envio pelo telefone,
as que escrevo numa carta lacrada,
as que guardas à chave na gaveta.
As que a minha boca coloca nos teus olhos
e as que transformam o teu riso em arbustos floridos.
Direi somente as palavras vulgares e milenárias
viciadas pelos usos mais diversos
que tem mentido amores,
construído amores,
envenenando e sussentando amores...
Direi apenas essas --- mais nenhumas! -
- as que projectam luz directa nos teus passos
para contar a história, a pobre história de uma casa,
uma cama, um orçamento,
-- a história tão banal mas espiada
por entidades misteriosas e solenes
que velam para que nada seja escrito.
Direi apenas as palavras de paixão
que te remeto em flechas acertadas
por sobre a multidão espavorida.
As que te arrancam de um corredor sombrio
para outro que os meus dedos iluminam.
As que fecham o alçapão das tuas mágoas
e rasgam a parede de silêncio.
As que telefono bem alto e sem paredes
cuspindo na ironia dos que passam
As que te oferecem um galhardete colorido
e te auxiliam a patinar
sorrindo sobre a endurecida maldição antiga.
As que destroem o veneno da tristeza
E autenticam a tua marcha musculada.
Direi apenas essas...
Mais nenhumas!
As que arborizam o interior da solidão
e as que te escrevo com um dedo
nas espáduas...
ana maria de por
tugal
Ana Maria de Portugal a Domingo,
11 de Setembro de 2011 às 3:16
DIREI APENAS ESSAS..
Direi apenas as palavras de amor que te endereço
envolvidas na nudez inicial..
Direi as que te envio pelo telefone,
as que escrevo numa carta lacrada,
as que guardas à chave na gaveta.
As que a minha boca coloca nos teus olhos
e as que transformam o teu riso em arbustos floridos.
Direi somente as palavras vulgares e milenárias
viciadas pelos usos mais diversos
que tem mentido amores,
construído amores,
envenenando e sussentando amores...
Direi apenas essas --- mais nenhumas! -
- as que projectam luz directa nos teus passos
para contar a história, a pobre história de uma casa,
uma cama, um orçamento,
-- a história tão banal mas espiada
por entidades misteriosas e solenes
que velam para que nada seja escrito.
Direi apenas as palavras de paixão
que te remeto em flechas acertadas
por sobre a multidão espavorida.
As que te arrancam de um corredor sombrio
para outro que os meus dedos iluminam.
As que fecham o alçapão das tuas mágoas
e rasgam a parede de silêncio.
As que telefono bem alto e sem paredes
cuspindo na ironia dos que passam
As que te oferecem um galhardete colorido
e te auxiliam a patinar
sorrindo sobre a endurecida maldição antiga.
As que destroem o veneno da tristeza
E autenticam a tua marcha musculada.
Direi apenas essas...
Mais nenhumas!
As que arborizam o interior da solidão
e as que te escrevo com um dedo
nas espáduas...
ana maria de por
tugal
ELEGIA SOBRE O ROMPIMENTO ESPERADO
ELEGIA DO ROMPIMENTO ESPERADO
Ana Maria de Portugal
a Sábado, 12 de Novembro de 2011 às 1:50
· ELEGIA DO ROMPIMENTO ESPERADO
Logo que quebraste o que nunca foi ligado
desfez-se o equilíbrio dinâmico e fatal que,
ensaiado mil vezes com cuidado,
com trabalho, com dor,
sofrendo a dor brutal de saber
que duraria um só instante,
eu tinha conseguido.
Soubesse embora imenso o que lograsse, eu já tinha sabido:
Ficava sempre na beira do abismo o espectro da distância,
adiante velando à espera de mostrar aquela escura torva face.
Instante supremo, desfazer de mundos, ver os céus rasgados a terra a expirar...
instante imenso, porque não chegaste para morrer?
Ana Maria de Portugal 2011
Ana Maria de Portugal
a Sábado, 12 de Novembro de 2011 às 1:50
· ELEGIA DO ROMPIMENTO ESPERADO
Logo que quebraste o que nunca foi ligado
desfez-se o equilíbrio dinâmico e fatal que,
ensaiado mil vezes com cuidado,
com trabalho, com dor,
sofrendo a dor brutal de saber
que duraria um só instante,
eu tinha conseguido.
Soubesse embora imenso o que lograsse, eu já tinha sabido:
Ficava sempre na beira do abismo o espectro da distância,
adiante velando à espera de mostrar aquela escura torva face.
Instante supremo, desfazer de mundos, ver os céus rasgados a terra a expirar...
J
sentir calar a voz do entardecer...instante imenso, porque não chegaste para morrer?
Ana Maria de Portugal 2011
domingo, 2 de outubro de 2011
quarta-feira, 15 de junho de 2011
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