TEJO
Este meu tejo marítimo
que todo o rio cheira a mar.
Amar que me leva à Barra
dos rios que nascem na foz,
este meu rio que é tapete
de meus tantos devaneios,
que faz parte do meu xaile,
caravela que me sulca
ocultas índias em mim,
este Tejo a que me abraço
neste corpo em que me vejo
é aquele que vos conto
nestas minhas mãos abertas.
Ana Maria de Portugal
(Para fado)
terça-feira, 19 de março de 2013
Avança alta a sombra do cansaço
Na espera que não cessa
Cai-me o corpo no regaço
Demora-se o tempo na promessa
Vela de vento
Neste meu fado
De arrancar a esperança
Ao frio do relento
E no vaivém da bonança
Esperar-te como destino marcado
Moinho de água
Da mágoa escondida
Tanto espero o momento
De alma agora despida
Virás, na roda do vento!
Ana Maria de Portugal
a publicar in "Maríntimo"
—
Na espera que não cessa
Cai-me o corpo no regaço
Demora-se o tempo na promessa
Vela de vento
Neste meu fado
De arrancar a esperança
Ao frio do relento
E no vaivém da bonança
Esperar-te como destino marcado
Moinho de água
Da mágoa escondida
Tanto espero o momento
De alma agora despida
Virás, na roda do vento!
Ana Maria de Portugal
a publicar in "Maríntimo"
O sorriso que nasceu
O sorriso que nasceuvoou de mim
Devaneou no luar de um lugar
Com adornos de escol e cetim
Atreveu-se o sorriso
Em trilho de pedras mágicas
Orvalhou um ninho de passarinho
Fez-se vento de mel
Estatelou-se de carinho
Nas fuças avaras e trágicas
Sorriu devagarinho, quase pranto
No salitre da tristeza
Sentindo nua a mesa
E quando a noite já sem razão
Vestia a fome de espanto
Sorriu de novo devagarinho
Nas bocas meninas, sem pão
Pudesse o sorriso mudar um rosto
Caiar todas as íris da cor Agosto
Tão singelamente podia
Ser feliz…
e porque...
o sol se enfeita de aurora
E soletra amor com o rio
Deixei meu sorriso agora
Correr como riacho vadio!
Ana Maria de Portugal
a 29 de Dezº de 201
BASTE SER GENTE
Dias longínquos de areia e de vento,
roçai com vossos dedos diáfano
a coroa inflamada do meu coração
trazendo estilhaços de sol
das sombras ondulantes
dos mistérios de abismos e de silêncios
dos furtivos contos matizados
e uma voz perdida, uma voz amante
que chama e ainda chama
mas bate contra as vidraças
louca ave de asas brancas
precipitando-se dos céus incertos.
AMP
8 de Março de 2013 —
A PEQUENA POÇA
Eu sou um rio
não mais
do que a bolha de água
que os deuses
sorvem
com uma palhinha
não sou um rio farto
dos que se espraiam
nas margens
e são falsos
escondendo na terra
como a toupeira
a vergonha do egoísmo
eu falo a linguagem
da miséria
da pequena poça
do afluente de aldeia
correndo
seco
para a voracidade
dos grandes mares
que se perdem
no infinito
das artérias
de Deus
(Ana Maria de Portugal)
Eu sou um rio
não mais
do que a bolha de água
que os deuses
sorvem
com uma palhinha
não sou um rio farto
dos que se espraiam
nas margens
e são falsos
escondendo na terra
como a toupeira
a vergonha do egoísmo
eu falo a linguagem
da miséria
da pequena poça
do afluente de aldeia
correndo
seco
para a voracidade
dos grandes mares
que se perdem
no infinito
das artérias
de Deus
(Ana Maria de Portugal)
Norte dos teus lábios no sul do meu seio
Ponto cardial da ilicitude que nos separa ao meio
Norte, que perde, insana e desvaria
meu celeste corpo delongando o dia
Espera-te a noite, eternamente lua
Na cama da estrela polar primeira
Universo serei de ti e terra nua
Ébria dos raios cadentes, tua luz feiticeira
Teimam meus pés no sol, as mãos no equador
Anulando a ínfima linha que nos separa
São as palavras, uma espécie de amor
No pólo do teu orgasmo que me amarra
Puderas ser tu eco ou astro que me influencia
Ou força gravitante que me desprende
Eu serei sempre a impostora poesia
Que no reflexo de ti o verso incende.
Ana Maria de Portugal
13 .03,13
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